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quarta-feira, 29 de março de 2017

A nova vacina NeoVax contra o câncer já é testada em humanos

Norte-americana Catherine Wu impulsiona um novo tratamento personalizado que está sendo provado em pessoas com tumores e melanoma

A nova vacina, NeoVax, tem dois componentes. O primeiro são péptidos desenvolvidos em base aos neoantígenos do tumor. Esses péptidos mostram os antígenos para as células do sistema imunológico e estas aprendem a identificá-los e eliminar as células que os carregam em sua superfície. O segundo componente é uma sequência de RNA que aumenta a resposta imunológica.

A NeoVax está sendo testada em dois pequenos ensaios com pacientes de glioblastoma, o câncer cerebral mais agressivo e difícil de tratar, e melanoma, explica Wu. Um terceiro teste vai começar em alguns meses em pacientes com câncer nos rins. Os três testes estão na fase um, a primeira das três exigidas para provar a eficácia de qualquer fármaco, portanto trata-se ainda dos passos iniciais. Os resultados preliminares “parecem promissores”, afirma Wu.

Se funcionar, seria aplicada em combinação com outros tratamentos de imunoterapia. Primeiro, a vacina permitiria dirigir o ataque do sistema imunológico direto ao tumor e depois seria administrado outro fármaco de imunoterapia já aprovado para “soltar os freios” do sistema imunológico e deixar que o ataque aconteça com toda sua força. Depois, se o câncer continuasse existindo, poderia ser aplicado um tratamento adicional com base em linfócitos também modificados geneticamente a partir do perfil do tumor desse paciente.

Segundo Wu, este será mais ou menos o tipo de tratamento contra o câncer que podemos esperar no futuro próximo. A pesquisadora não menciona de propósito a quimioterapia, pois possivelmente não seja necessária em nenhum caso. “Apesar de todos os sucessos que houve com a quimioterapia, não sabemos totalmente por que funciona, se é somente pela droga em si ou se provocou também uma resposta imunológica posterior que ajudou a matar o câncer”, explica. “Este é outro campo que teremos que estudar”, acrescenta.

Esse tipo de tratamento vai obrigar as grandes empresas farmacêuticas “a mudar sua forma de pensar”, opina Wu. Em lugar de ter só uma vacina, fabricar milhares de doses e armazená-las, esses novos tratamentos serão descartáveis. A médica é cofundadora de Neon, uma pequena empresa biotecnológica que está desenvolvendo vacinas baseadas em neoantígenos. Algumas farmacêuticas grandes também estão apostando por esses tratamentos personalizados, afirma Wu. A médica explica que o preço dessas vacinas personalizadas “não é superior” ao de alguns dos fármacos atuais de imunoterapia. Como vantagem permitiriam que a imunoterapia “funcionasse em todos os pacientes”. “Acho que com esses tratamentos, no futuro, poderemos fortalecer o sistema imunológico a ponto de que o câncer seja indetectável”, assegura.

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